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incidentes de segurança na internet crescem 17% em 2012



TI INSIDE






Notificações de incidentes de segurança na internet crescem 17% em 2012

O número de notificações de incidentes de segurança envolvendo redes conectadas à internet no Brasil cresceu 17% no ano passado, comparado com 2011, totalizando 466.029 ocorrências, de acordo com relatos de administradores de rede e usuários de internet recebidos pelo Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br).
Do total de incidentes registrados no ano, as tentativas de fraude somaram 69.561 notificações, o que representa um crescimento de 72% em relação a 2011, enquanto relatos de casos de páginas falsas de bancos e sites de comércio eletrônico (phishing clássico) cresceram 95%. Houve também um aumento de 154% de outros tipos de phising, que não envolvem bancos e site de e-commerce. Os alertas sobre cavalos de Tróia, utilizados para furtar informações e credenciais, aumentaram 24%, na mesma base de comparação.
O Cert.br também identificou que, no ano passado, houve um aumento de 65% nos avisos de ataques a servidores web, que totalizaram 25.557 incidentes. Segundo o órgão foram exploradas vulnerabilidades em aplicações web para hospedagem de páginas falsas de instituições financeiras, cavalos de Tróia, ferramentas utilizadas em ataques a outros servidores web e scripts para envio de spam ou scam. O número de máquinas comprometidas em 2012 chegou a 7.815, segundo as notificações, sendo que em sua grande maioria foram servidores web que tiveram suas páginas desconfiguradas.
Já as notificações referentes a varreduras tiveram aumento expressivo, de 94%, chegando a 232.498. As varreduras de SMTP (sigla para Simple Mail Transfer Protocol — protocolo padrão para envio de e-mails através da internet), que em 2011 eram 44% do total, agora representam 57% de todas as varreduras, mantendo a primeira colocação desde o último trimestre de 2010.
O SSH (sigla para Secure Shell — protocolo de rede para conexão com outro computador de forma a permitir execução de comandos de uma unidade remota) corresponde a 9% das notificações de varreduras na estatística anual. O serviço de RDP (sigla para Remote Desktop Connection, na qual é possível o acesso multicanal entre plataformas diferentes, como Macintosh e Windows), representou 14% das notificações de varreduras no ano passado. O protocolo padrão de internet Telnet, que permite a interface de terminais e de aplicações através da web, corresponde a 2% das notificações de varreduras do ano passado.
As notificações de atividades relacionadas com propagação de worms e bots, ações maliciosas que se multiplicam após infestação, totalizaram 38.466 em 2012, aumentando 43% na comparação com 2011.



competição dos US$ 3,5 milhões

G1
Segurança digital

Com US$ 3,5 milhões, competições pagam por ataques a sistemas Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados, etc), vá até o fim da reportagem e utilize a seção de comentários. A coluna responde perguntas deixadas por leitores todas as quartas-feiras.

Ocorria pela primeira vez em 2007 a competição “Pwn2Own”. Durante a conferência CanSecWest, em Vancouver, no Canadá, especialistas em segurança tinham como desafio invadir sistemas preparados pela Zero Day Initiative (ZDI). Quem invadisse os sistemas – dois MacBooks – poderiam levar o notebook para casa, além de um prêmio de 10 mil dólares. Desde então, os prêmios têm aumentado e, em 2013, há até U$ 3,5 milhões (cerca R$ 7 milhões) sendo disputados.
Falhas em softwares diferentes têm valores diferentes. Brechas no Java são as de menor valor. Já a maior parte do dinheiro (US$ 3,14 milhões, em referência à constante matemática “pi”) será fornecida pelo Google em uma competição que ocorrerá junto a Pwn2Own. Chamada de “Pwnium”, a competição terá como alvo o Chrome OS, o sistema operacional do Google usado em seus Chromebooks.
A Pwnium foi criada após um desentendimento entre o Google e a ZDI, organizadora do Pwn2Own original. Como as regras da edição 2012 não exigiam que os participantes revelassem todos os detalhes técnicos da falha demonstrada, o Google fez sua própria competição, tendo unicamente o navegador Google Chrome como alvo e até US$ 1 milhão em prêmios, com até US$ 60 mil oferecidos para cada participante que demonstrasse uma forma de burlar a segurança do navegador.
Este ano, o Google Chrome fará parte da Pwn2Own regular, e o Chrome OS, que não participa dela, terá a Pwnium. O Google ofereceu até US$ 150 mil (cerca de R$ 300 mil) pela demonstração de um ataque viável contra o Chrome OS que consiga permanecer no sistema.
Na Pwn2Own, o valor em disputa será de US$ 485 mil, distribuídos em uma série de categorias. As mais valiosas, que renderão US$ 100 mil ao vencedor, são o Google Chrome no Windows 7 (também patrocinado pelo Google) e Internet Explorer 10 no Windows 8.
Invadido não é roubado
As regras da Pwn2Own são simples: os sistemas são preparados pela organização do evento com o conjunto de softwares anunciado. O participante prepara uma página web de ataque. Quando chega sua vez, os organizadores usam o sistema e acessam a página definida pelo participante. Com isso, o participante deve conseguir instalar um arquivo específico no computador, demonstrando que ele conseguiu burlar a segurança do navegador.
Os computadores estarão com todos os softwares em suas versões mais recentes – que devem ser as mais seguras – e com a configuração de fábrica. Não é permitido usar brechas já conhecidas e a mesma falha não pode ser usada duas vezes.
Caso tenha sucesso, o participante leva o prêmio em dinheiro e o notebook que ele conseguiu invadir. Ou seja, invadido não é roubado. O participante também é obrigado a revelar todos os detalhes técnicos da falha para a Zero Day Initiative (ZDI).
A ZDI é uma equipe que monitora e desenvolve soluções de segurança para a divisão de redes da HP. A ZDI rotineiramente compra informações sobre vulnerabilidades de pesquisadores, para proteger os clientes de falhas que nem mesmo os fabricantes ainda conhecem. No entanto, todas as informações obtidas são compartilhadas com os desenvolvedores de software, permitindo que eles corrijam as falhas.
Pagando por falhas
A oferta de compensação financeira por informações sobre brechas de segurança ainda é polêmica. Enquanto algumas empresas já pagam pesquisadores – caso do Google e do Facebook – outras, como a Microsoft, resistem. Por enquanto, especialistas podem recorrer a terceiros, como a ZDI ou a iDefense, para vender as vulnerabilidades que descobrirem.
Na Pwn2Own, os valores pagos aumentaram de forma significativa nas edições recentes. Em 2007, na primeira edição, era até US$ 10 mil. Em 2008, US$ 20 mil. Em 2009, US$ 5 mil, mas era permitido mais de um vencedor por categoria. Em US$ 2010, o valor total saltou para US$ 100 mil, com falhas em celulares valendo até US$ 15 mil. Em 2011, os US$ 15 mil foram oferecidos, desta vez até para os navegadores.
Em 2012, o valor pago quadruplicou e passou a ser U$ 60 mil, tanto na Pwn2Own como na Pwnium, então realizada paralelamente pelo Google. Este ano, o menor valor pago – por falha no Java – é de US$ 20 mil, e o maior, para uma falha no Chrome OS na Pwnium, é de US$ 150 mil.
O crescimento dos valores cria uma tendência muito forte para uma abertura ainda maior de programas que recompensem pesquisadores independentes pelas informações de brechas. Hoje, muitas empresas esperam que detalhes técnicos de falhas, mesmo as mais graves, sejam cedidos gratuitamente.
Por outro lado, especialistas podem ter dificuldade para comercializar informações sobre falhas, pois vender para a pessoa errada pode colocar milhares ou até milhões de usuários em risco. Diante da falta de opções, o valor de uma vulnerabilidade seria, aparentemente, zero.
O “problema” – demonstrado claramente pela Pwn2Own – é que já não faltam opções.
A Pwn2Own e a Pwnium ocorrem durante a conferência CanSecWest, que em 2013 ocorre nos dias 6 a 8 de março em Vancouver, no Canadá.

 

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